Autora: Simone Santos Oliveira, Mary Yale Neves, Jussara Brito, Lúcia Rotenberg
Em um incomum tríplice arranjo, como um ikebana (arranjo de flores japonês), Helena Hirata conjuga técnica/disciplina, equilíbrio/
harmonia e sensibilidade/cuidado, conformando uma robusta e delicada trajetória acadêmica. O presente artigo visa contribuir
com a reflexão acerca da fecundidade de sua produção intelectual para a construção de perspectivas de análise das relações entre
o trabalhar e as dinâmicas que envolvem a saúde, à medida que incorporam a questão das relações sociais de sexo/gênero.
Tal proposição decorre da importância de contribuições teóricas da autora, diretora de pesquisa emérita do Centro Nacional de
Pesquisa Científica (CNRS) e pesquisadora colaboradora do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), cujos
temas da sociologia do trabalho – centralidade do trabalho, divisão internacional do trabalho, globalização, reestruturação produtiva e organizacional, com seus efeitos nas relações de trabalho – são discutidos a partir da perspectiva das relações sociais de sexo/gênero e da problematização da divisão sexual do trabalho, subsidiando reflexões acerca da determinação do processo saúde-doença.
Para desenvolvimento deste estudo, recorremos a uma diversidade de informações, proveniente de diferentes fontes, tais como:
levantamento documental; produção teórico-acadêmica; entrevistas de Hirata concedidas a revistas especializadas e outras disponíveis na
mídia. Além disso, merecem destaque os contatos realizados por e-mail e conversa virtual com a autora. Dessa forma, buscou-se, neste
ensaio, efetuar uma discussão do conjunto de materiais, ressaltando conceitos, categorias e algumas das reflexões teóricas empreendidas
pela pesquisadora e colocadas como ferramentas para o desenvolvimento de pesquisas, com vistas a apontar suas contribuições fundamentais para compreender-transformar os modos
de vida, saúde e trabalho. Entendemos que a discussão em torno de suas ideias poderá gerar um terreno propício para que a temática de
gênero seja mais bem apropriada nas pesquisas e intervenções pertinentes à saúde coletiva, em particular aquelas desenvolvidas no campo da saúde do trabalhador, assim como em outras
áreas afins.
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